Não sei por onde caminho. Sinto tudo incerto. Tudo ausente. Vejo quadrados e retângulos com pessoas, em écrans, cheios de palavras, que tudo destroem, arrasam, perturbam e ainda mais, até já não sabermos o que é realmente a verdade. São ventanias de palavras diárias, que não ajudam ninguém.
Abro a porta para sentir o ar fresco e procuro a realidade em meu redor.
Por vezes, vou ver o mar perto do meio-dia, a hora do silêncio no inverno e na primavera fria ou cinzenta. Sei que tenho estacionamento, para descansar as preocupações, mas é tudo pago com as decisões de cada dia. As novas modernices levam-me as moedas e a paciência. Mesmo assim, admiro a paisagem e a grandeza do que avisto. Penso no trabalho, tanto trabalho. Uma profissão de opostos. Penso nas decisões que tomei. Penso nos verbos que escuto nos écrans e o meu olhar fica triste. Triste. Um quadro de momentos ligado a muitas coisas. São muitas preocupações. São muitas opiniões. Começam a surgir palavras que nos assustam. E, é nesse instante, que deixamos de viver os nossos dias e passamos a viver o que os outros exigem.
Será que ganhamos alguma superioridade, com a ausência da reflexão, da ponderação e da estratégia? Continuamos a ser bem-vindos nesses lugares e espaços de modas antigas?
Este não é um texto de palavras sem sentido. Somos envolvidos por notícias, diariamente, veiculando mensagens que nos afetam. Ouvimos comentadores que trazem perspetivas de recusa, ou de agitação, que nos incomodam. Não é certo que as perspetivas sejam baseadas em estudos imparciais, verosímeis e aceitáveis. Uma linguagem esclarecedora, verdadeira, é necessária. O que ouvimos há meses é um quadro de momentos que nos preocupa.
Tudo parece aceitável, mas nem sempre é assim. Os vários significados da palavra educação devem ser nossos todos os dias.
Maria Silva Monteiro 2025
