I
As palavras que me oferecem entre frestas de bom senso e
rebentos de pouco afeto enchem a verdade, num canto
de humildade e aceitação.
As palavras importantes que deslizam num som
suave, recitado até ao final.
Dormentes quando voam do avesso,
as palavras de quem as diz, de quem as escolhe
que analisam quem elege ouvir.
As palavras que não abraço.
O avesso do tropeço não caminha
com ligeireza, no presente do dia ou
na ausência da noite.
As palavras, as sombras e o silêncio voam
com o vento, raízes barulhentas não acertadas.
As palavras visíveis para quem
escolheu uma corrente de ar.
Diretas, manipuladas, nefastas
são ou não presença eterna?
II
Os abraços das alegrias enchem o copo vazio,
aquelas alegrias que ainda soltam os detalhes de ausência.
As palavras de afastamento que foram ouvidas ou imaginadas
são a poeira que o vento transporta.
Deixo um sorriso para as estrelas dos dias bonitos,
e para as palavras doces que acolhem no coração.
Junto as palavras que foram escondidas.
Aquelas que ouvi, aquelas que foram escolhidas para mim.
Foram ouvidas sem vontade.
Assinavam o desprezo.
Revoltaram a alegria.
Pareciam lama na estrada num dia de chuva.
Ruidosas, surraram.
Estou viva compreenda-se.
( Para ler em voz alta.)