Há sempre um momento especial em que libertamos o nosso olhar. Sentimos a ocasião, sentimos os arrepios do desafio e guardamos esse breve momento naquele instante de sorrisos. Os pensamentos adivinham-se sempre que o coração estremece.
As fotos de pormenores simples, à procura de simbologias, carregam uma energia prolongada que determinamos, nesse momento de descontração apetecida.
Libertamos qualquer coisa que cresceu nas palavras redondas de emoções e abraçamos uma sonolência enevoada que rodeia o que escolhemos perpetuar numa foto.
Juntamos vírgulas nos pormenores e lançamos todos os detalhes de uma só vez, bem depressa, quase atentos à alegria que esperamos.
Olhamos uma quase eternidade de uma só vez nesta saída, que é quase tudo o que desejamos.
Desperta de um todo e intensa de vontades exibimos o que vemos. Um véu de palavras esquecidas sopra o nevoeiro para um rasgo de luz ainda visível.
Agarramos as possibilidades quando abrimos o coração e ainda há alegria e sonhos, em cada perspetiva que é escolhida.
A foto fica aqui. Esta ou outra. Liberta, imperfeita, corrigida, depois de tudo o que quebramos. Está exposta a emoções, a escolhas e opiniões.
As palavras também descansam nestas linhas. A ousadia de escrever o que é sentido, o que se observa e o que se guarda é indulgente. É complacente. E o que nos prende o olhar nem sempre é diferente.
© Maria Silva Monteiro – Abril 2026

Foto – Eternidades 2026
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