Outro Alguém

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O silêncio nunca está vazio

Silence is rarely empty.

19/5/2026

Escrevo-te este postal imaginado com cores alegres e frases simples. Este silêncio indireto nunca está vazio para libertar a emoção e a surpresa.

A aventura, que preenchia o dia dezanove na minha agenda, foi longa e calma — como um despertar suave para uma realidade necessária.

O céu cinzento de primavera escondia a cidade de Lisboa quando o dia acordou. Ao longe, do lado esquerdo da travessia, uns raios de luz libertos da neblina da manhã mostravam os bonitos edifícios que procurei com curiosidade.

Um silêncio lento à procura do destino e o espreguiçar descontraído da manhã recebiam o som dos aviões, que rasgam os céus cumprindo as exigências de uma cidade moderna.

Uma pequena conversa trouxe um pouco de ternura e tudo o que tem de ser feito merece que as prioridades sejam sempre humanizadas. Foi isso que vi.

Há sempre algo que recordamos quando olhamos em redor. Nesse momento, em que precisei esperar uns minutos, senti a vida quase sem horas. Mesmo que esse instante seja pouco claro quando as palavras se juntam, esse momento foi importante para mim. Registo-o com emoção e deixo-o na minha memória.

Nestas linhas, que acrescento com muito respeito, há um rosto anónimo que não será esquecido —por muitas razões e porque merecia ser feliz numa vida que lhe pertence.

Este silêncio que nunca está vazio será sempre um breve instante do tempo presente.

©Maria Monteiro