Esse som que sentimos no peito, em cada peça perfeita de ilusões e de sensações, pertence apenas às escolhas de cada um.
O som do violino, ali mesmo, na paisagem que arrebata os sentidos, eleva-nos quando um sorriso arrepia o corpo. Essa beleza melódica toca em cada pedaço de verde que nos rodeia e desperta os corações sensíveis de quem ouve sem esquecer.
O sentimento envolve-nos, delicado, entre o som, a brisa e os movimentos que antecipamos. Não admira que sejam a paz e a beleza a silenciar os nossos receios.
A presença natural dos campos verdes, para abrandar o ritmo da vida, envolve-nos num sonho merecido. Sibelius faz-nos regressar às origens e o ar fresco da serra oferece-nos aquele momento único de uma peça perfeita.
Um violino na paisagem verde e longínqua, quase solitário e profundo, surge como uma imersão elegante de beleza. Cada nota desperta sensações inesperadas à procura de almas sensíveis ou desejos de paz merecida.
E quando tudo se apaga nos bastidores das decisões, agarro-me às árvores que afastam a desilusão e às cores monótonas que resistem. Nesse momento, escolho Brahms e Schubert, na sensatez das reações improvisadas que afastam as desculpas vazias dos dias em que tudo passa a correr.
Faz falta um violino na paisagem.
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Nota:
Franz Schubert — compositor austríaco
Jean Sibelius — compositor finlandês
Johannes Brahms — compositor alemão
14 de junho de 2026
© Maria Silva Monteiro