Outro Alguém

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Mundano

Tu. Alma desconhecida. Idade leve. Mala de livros.

Descrição rápida numa paragem obrigatória junto a uma passadeira inesperada. Olhos para baixo, mãos para cima, idade leve, consciência ausente sobre os riscos de um caminho movimentado, percorrido sem atenção.

Tu. Atravessas o caminho com mãos para cima, olhos para baixo sem atender ao que se movimenta num espaço que te agarra. Seguras um gadget e abandonas a vida.

Acorda. Olha. Olha de novo. Olhos para cima, para todos os lados.

Podes atravessar. A enormidade do que esqueces, o reconhecimento do que é preciso saber, a perceção de tudo isto é uma observação diária.

O que sente o coração?

O bem maravilhoso, igual ao cuidado de respirar, criado para servir, para evoluíres é prioridade apagada?

Que pensar do que não se vê?

Sobram as ondas de razões para avançares com atenção, para não tropeçares no conhecimento sem o agarrar, e escuta todos os que se importam com a melancolia e com as vozes barulhentas.

Mundano. Tu. Não te esqueças do mundo que te entregam, do estudo, dos livros, da ciência, da vida. Examina com cuidado.

Olhos para cima, para todos os lados. Mais uma vez.

maria silva monteiro 2026

( O nosso olhar fica preocupado quando vemos os transeuntes, na passadeira para peões, com os olhos e mãos, nos smartphones, perdidos numa ilusão ou numa realidade secundária, enquanto caminham nessas riscas, de segurança ligeira.)