Outro Alguém

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A mensagem

Escrevo num papel algumas palavras destinadas à leve existência do dia. São pormenores a cumprir, com a simplicidade de um dia de nevoeiro esbatido na simples história que se imagina. Todas as palavras que suprimi navegavam na dúvida; as que ficaram abanam com o vento; e as que ainda devo escrever esticam-se nas tarefas que desejo cumprir e nos momentos que desejo reformular. São quase uma lista de propostas para cumprir quando o vento soltar de novo o seu alarido destemido. 

Há sempre um momento em que recolho informação para enfrentar as simples ondas da imensidão do que há para fazer. Provavelmente empresto coragem aos minutos de espera quando risco e reformulo.

Que relato convincente deixo percorrer este caminho?

Talvez aquele que se escreve devagar, com a paciência do nevoeiro que, mesmo quando se dissipa, deixa no ar a memória suave do que ainda está por viver.

Maria Monteiro – 2026